Shopping de São José dos Campos impede a entrada de adolescentes desacompanhados

Para jurista, pais tem obrigação de saber o que os filhos andam fazendo



Mais um shopping tentou barrar a entrada de adolescentes desacompanhados dos pais. Desta vez foi o Centervale Shopping, e mais uma vez a discussão vem à tona: existe o direito de ir e vir em estabelecimentos privados abertos ao público. Mas qual o limite para esses adolescentes?

Muitas vezes eles entram em bando, provocam brigas e incomodam quem quer utilizar os serviços. Sexta-feira é assim: o ponto de encontro dos adolescentes é o shopping.

Ao chegar na entrada do shopping, eles encontram guardas limitando a passagem, solicitando documentos, revistando mochilas. Tudo isso feito pela segurança particular do shopping. “O segurança disse que eu deveria estar acompanhado de 'maior', nem com RG pode entrar. Nós programamos toda sexta para vir curtir aqui e agora não pode entrar”, diz um menor.
Um dos pais se irrita com a postura do shopping. Até a Polícia Militar foi acionada. “Eu acho que existe o direito de ir e vir para tudo quanto é lugar. Eu tenho que vir lá da Vista Verde para pagar uma conta. Ela veio aqui pagar uma conta com o namorado dela”, reclama.

Mas o que estaria acontecendo para que três shoppings de São José dos Campos tomassem essa postura?

No mês passado mostramos a situação de adolescentes sendo barrados no Shopping Colinas. No Vale Sul, as pessoas são abordadas pelos seguranças, mas o shopping alega que é apenas uma pesquisa de público.

Os shoppings são espaços privados mas abertos ao público. A lei, nestes casos, determina que o direito de ir e vir de qualquer cidadão seja preservado. O problema é que esses adolescentes muitas vezes chegam em bando, fazem bagunça. Durante o tempo em que nossa equipe permaneceu no local, flagramos menores fumando e dividindo bebida alcoólica.

Uma loja de roupas que fica na rua ao lado do shopping fecha o expediente mais cedo às sextas-feiras por causa da presença dos adolescentes. “Decidimos fechar mais cedo a loja todas as sextas por causa da ameaça dos meninos que ficam do lado de fora”, reclama o comerciante Douglas Calmon.

A assessoria do Shopping Centervale informou que algumas medidas de vigilância foram reforçadas e foi pedido apoio da Polícia Militar. Sobre a abordagem dos seguranças e o cadastro, o shopping não se pronunciou.

Diante do comportamento dos jovens, do posicionamento dos shoppings e da postura da Polícia Militar, convidamos o jurista Sérgio Bacha para ver as imagens e falar sobre o assunto. “É uma sucessão de erros com origens na omissão da família e a ineficiência do estado. O shopping está tentando de toda forma manter a ordem em um ambiente coletivo, mas não está conseguindo. São menores, e os pais tem obrigação de saber onde estão os filhos e o que estão fazendo. É um caso de polícia porque está falhando a família e o estado tem que intervir, tem que interceder com eficiência, abordando-os, identificando-os e levando a seus pais e encaminhando o caso ao Ministério Público”, diz o jurista.

No Vale Sul, a 'pesquisa' continua sendo feita. As pessoas são convidadas a preencher um formulário. Já no Shopping colinas, ninguém da assessoria de imprensa foi encontrado hoje para comentar o assunto. Na Polícia Militar, ninguém do comando foi autorizado a falar com a nossa reportagem.



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Fonte :vnews.com.br