Polícia de S. José apura morte de garoto atingido por manilha


Delegado convoca construtora para saber por que área não estava cercada; empresa nega falha e promete ajuda à família

João Paulo Sardinha
Bom Dia São José

O sonho de ingressar no Exército terminou às 16h da última segunda-feira para o estudante Allan Gabriel Amorim Gonçalves, 10 anos.

O menino teve o futuro interrompido de forma trágica após ser atingido por uma manilha de concreto de cerca de 200 quilos.

O acidente aconteceu em um loteamento em construção no jardim República, bairro da zona sul de São José dos Campos.

Ontem, no velório do garoto, familiares tentavam entender a tragédia e buscavam os responsáveis pelo acidente.

A Polícia Civil de São José dos Campos instaurou inquérito para investigar as causas e as responsabilidades pelo acidente, ocorrido em uma obra da construtora Paraíso.

Acidente. Um grupo de crianças brincava na tarde de segunda-feira na área onde será construído um loteamento quando um tubo de concreto, que pesa aproximadamente 200 quilos, rolou e atingiu Allan e seu irmão, Luiz Eduardo Amorim Gonçalves, 8 anos.

Ambos foram socorridos por uma unidade do Corpo de Bombeiros, que prestou o primeiro atendimento ainda na área do acidente. Allan não resistiu aos ferimentos e morreu no local.

Já o garoto Luiz Eduardo foi levado para o Hospital Municipal, na Vila Industrial, onde fez tomografia e passou por uma cirurgia de dreno de tórax.

Ele continuava internado em estado grave até a noite de ontem, mas não corria risco de morrer, segundo informou o hospital.

“Foi travessura das crianças. Elas estavam empurrando a manilha, que acabou rodando. Vamos ouvir os donos da construtora para saber de quem partiu a ordem de deixar esses tubos por lá”, afirmou o delgado do 3º DP (Distrito Policial) de São José, Antônio Sérgio Pereira, que ficará responsável pela apuração do caso.

Contato. A notícia caiu como uma bomba para o pai das vítimas, o metalúrgico Rogério Eduardo Gonçalves, 37 anos.

Ele contou que chegou do trabalho e deu dinheiro para Allan comprar uma pipa. Em seguida, foi tomar banho.

Assim que saiu do chuveiro, soube da tragédia pelo enteado. Ele disse que ainda correu para socorrer os filhos, mas já era tarde.

“Vi que era um menino caído. Ao chegar perto, percebi que era o Allan”, disse.

O garoto, palmeirense fanático e louco por futebol, era o terceiro dos cinco filhos.

“O Allan era um menino prestativo, só recebia elogios dos professores”, disse o pai.

Tristeza. Rogério criava Allan e os outros quatro filhos sozinho, desde que se separou da mãe das crianças, Fernanda Gisele Amorim.

“Ele era o pai e a mãe da família. O Allan o via como um herói”, afirmou o tio do menino, o operador de telemarketing Renato Leandro Gonçalves, 22 anos.

Allan foi velado e sepultado ontem à tarde no cemitério Colônia Paraíso, no Jardim Morumbi, zona sul.

A mãe dos meninos estava muito abalada e não quis falar sobre o caso.
 
Fonte : ovale.com.br