Como a geração Y está reinventando o jeito de fazer negócios

Já ganhou o mundo (sem sair de casa); Se diverte (enquanto trabalha duro); E fatura milhões (investindo pouco)

Representantes da chamada geração You geração milênio, como foram batizados os nascidos dos anos 80 para cá, sua forma de pensar e agir pode atordoar - mas sobretudo surpreender - quem veio ao mundo antes do controle remoto. Impacientes e criativos, imediatistas e versáteis, eles começam a ganhar milhões com os seus projetos. Como? Você saberá a seguir características marcantes do grupo e revela,o novo rosto do sucesso.
>>>Domínio da tecnologia
Para a geração milênio, a afinidade com a internet é instintiva, seja no lazer ou no trabalho. "Eles conseguem facilmente na web informações sobre fornecedores, clientes e tendências de consumo", diz Andrew Zacharakis, professor de empreendedorismo do Babson College, nos Estados Unidos. A trajetória de Breno Masi, 26, lhe dá razão. Junto com um amigo que conheceu na rede e a ajuda de comunidades virtuais, ele foi um dos primeiros do mundo a destravar o iPhone. Divulgou a proeza no YouTube e transformou o desbloqueio em um rentável negócio. Também graças à rede, o paulistano Paulo Vinicius de Souza, 23, pôde expandir para o Rio de Janeiro as operações da Tchu-Tchuá, sua empresa de recreação e eventos, com site próprio, comandada de São Paulo. Sinal de que, nas mãos desses novíssimos empresários, a tecnologia já se tornou uma poderosa - e barata - ferramenta na busca de clientes.

>>>Mais colaboração e menos hierarquia
Se até há pouco tempo os empreendedores eram vistos como seres solitários, a nova geração se diferencia pelo alto poder gregário. "Por ter crescido no mundo online, os jovens são mais abertos a cooperar com os outros, a dividir e discutir ideias", diz Reinier Evers, fundador da Trendwatching, empresa holandesa especializada na análise de tendências. Um estudo com quase 6 mil jovens de 12 países - Brasil incluído -, coordenado pelo americano Don Tapscott, autor do best-seller Wikinomics e do recém-lançado Grown up Digital (ainda sem versão em português) apontou outra característica desses jovens: forte rejeição à hierarquia das empresas. Tome-se como exemplo o caso da FingerTips, a desenvolvedora de aplicativos para iPhone de Breno. "Não controlamos horários e nossos programadores podem trabalhar em casa", conta. "Cada um tem liberdade para encontrar a melhor forma de realizar suas tarefas", complementa ele, totalmente sintonizado com duas outras tendências apontadas pelo levantamento de Tapscott: a valorização da autonomia e a qualidade de vida.
Inovação é ponto forte dos empreendedores Y. "Eles têm mais facilidade em quebrar paradigmas para conceber novos produtos, serviços ou processos", avalia Raphael Zaremba, professor de empreendedorismo da PUC-RJ. O consultor Fernando Dolabela, que acaba de lançar Empreendedor Aprendiz, pensa parecido. "Eles não têm uma visão amarrada. São capazes de se perguntar: 'Por que isso tem que ser assim?'"

>Imediatismo>>>Capacidade de inovação

Eles buscam velocidade. E não só nos videogames. Acostumados a conseguir o que desejam com um clique no mouse, fazem várias coisas ao mesmo tempo e não têm o hábito de esperar. Em recente pesquisa conduzida pela MTV, 20% dos jovens brasileiros admitiram ser impacientes. Gustavo Ely Chehara, da rede de docerias Docella, é o típico exemplo. "Nunca quero as coisas para hoje, sempre para ontem", diz. Tamanha pressa pode dar agilidade aos negócios - fator essencial para o sucesso num mundo que gira cada vez mais rápido. Mas, em excesso, o imediatismo também atrapalha. "Reflexão e estratégia pedem tempo", alerta Mathieu Carenzo, diretor administrativo do Centro para Empreendededorismo da IESE Business School, da Espanha. "Eles têm dificuldade em entender que é preciso esperar para obter bons resultados", afirma David Kallás, professor do Insper (novo nome do Ibmec São Paulo).
>>>Atuação global e em nichos específicos
A mais nova empreitada do estudante Bruno de Araujo, 21, ainda não saiu do papel. Ainda assim, ele planeja, logo que abrir a empresa, despachar guitarras para o mundo todo. "Para mim, tanto faz se o cliente está na esquina, nos Estados Unidos ou na China", diz Bruno. Para empreendedores como ele, exportação não é privilégio de gente grande. "Graças às novas tecnologias, os jovens fazem negócios globais por definição", afirma Evers, da Trendwatching. A mesma lógica impulsiona a abertura de empreendimentos focados em nichos específicos, sem mercado suficiente na vizinhança, mas com bom número de consumidores. As empreendedoras Patrícia Andrade Helú, 22, e Patrícia Lens Cesar, 26, ilustram bem essa habilidade. No ano passado, elas inauguraram um site para vender roupas feitas para ficar em casa. Com o sucesso da operação, acabaram abrindo uma loja física, mas a internet ainda é responsável por quase metade das vendas.

>>>Preocupação com a sustentabilidade
As duas Patrícias e o estudante Bruno mencionados anteriormente têm uma outra preocupação comum: o meio ambiente. Ele planeja fabricar guitarras de madeira reciclada e cordas revestidas a pet, entre outras especificações verdes. Elas querem lançar uma coleção 100% sustentável, com corantes naturais e material orgânico.