O JOVEM É PROTAGONISTA DA NOVA EVANGELIZAÇÃO

“Temos de acreditar no jovem como o grande protagonista da nova evangelização”
Todo ano, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) propõe, como vivência concreta do espírito quaresmal, a Campanha da Fraternidade (CF). Este ano, a Igreja do Brasil vai refletir sobre o jovem e o seu protagonismo na Igreja e na sociedade. Impulsionados e motivados pela Jornada Mundial da Juventude, a Campanha da Fraternidade tem como tema “Fraternidade e Juventude”, e o lema é: “Eis-me aqui. Envia-me”.
Para falar sobre este ano da juventude, o Destrave conversou com Dom Eduardo Pinheiro, bispo auxiliar de Campo Grande (MT) e responsável pelo Setor Juventude da CNBB.
Destrave: O tema da CF é “Fraternidade e Juventude”, e o lema é “Eis-me aqui. Evia-me”. Isto já seria a provocação de uma resposta para tudo o que vamos viver na JMJ Rio 2013?
Dom Eduardo Pinheiro - Foto: Arquidiocese de Campo Grande (MT)
Dom Eduardo: Podemos fazer esta leitura sim! O lema da Jornada Rio 2013 – “Ide e fazei discípulos entre todas as nações” (Mt 28, 19) – é, justamente, um convite de Jesus para que Seus discípulos saiam em missão e anunciem a Boa Nova ao mundo inteiro. E a Campanha da Fraternidade é uma resposta a este mandato: “Eis-me aqui. Envia-me”. Na Bíblia, esta é a voz do profeta Isaías, mas é também a voz do jovem e da Igreja, a qual se sente chamada por Deus para estar no meio da juventude.
Destrave: A Igreja Católica está vivendo duas realidades bem concretas: o ‘Ano da Fé’ e também o desafio da nova evangelização. De que forma a juventude pode contribuir para esse novo impulso eclesial?
Dom Eduardo: O ‘Ano da Fé’ e também o desafio da nova evangelização têm um foco nas novas gerações, apesar de não parecer assim tão explícito teoricamente. Quando falamos em ‘novo’, falamos em novas gerações. Então, a nova evangelização não pode deixar de lado a juventude, porque, pelo nosso creio pastoral, o jovem é um grande protagonista dessa nova evangelização. Por dua razões: primeiro, é porque o jovem é chamado a uma linguagem jovem e nova para fazer com que a mensagem da fé seja transmitida e acolhida pelo mundo de hoje, da pós-modernidade. E uma segunda razão, é porque os jovens navegam nessas redes sociais tendo um papel primordial nos meios de comunicação. Então, não dá para negar que o papel dele, neste ‘Ano da Fé’, como também o objetivo da nova evangelização, é  essencial; não é secundário nem um ‘algo a mais’, um lugar imprescindível, ou seja, temos de acreditar no jovem como o grande protagonista para que a fé seja conhecida e abraçada por todos, de modo especial pelos seus próprios colegas.
 O senhor falou sobre a ‘transmissão da fé na pós-modernidade’. Uma realidade que Bento XVI tem falado muito, em seus discursos, é a crescente onda de secularização e até de hostilidade à fé. Como ser um discípulo de Cristo neste tempo, no qual alguns valores como família e castidade, por exemplo, são colocados em questão? 
Dom Eduardo: A CF fala, justamente, do impacto que essa pós-modernidade tem na vida das pessoas, de modo particular na vida da juventude. Dentro desse contexto de época, existe, sim, a tendencia à secularização, ou seja, a desvalorização de elementos que são sagrados e  fazem parte do ser humano. O jovem é chamado, neste mundo a, primeiro, perceber que ele é fruto desta sociedade e se conhecer, entender as suas reações, os seus desejos, suas ilusões e projetos num mundo no qual nem sempre passa os valores fundamentais. Segundo ponto, é que o jovem, evangelizado e consciente da sua vivência pessoal com Cristo,  deve sentir-se enviado a este mundo para que, com seu jeito e maneira de pensar, ajude naquilo que pode. O jovem não é chamado a transformar o mundo, mas sim contribuir para a transformação dele. O jovem deve defender esses valores que, no fundo, ele acredita, mas que, nem sempre, consegue viver numa sociedade com tanta contestação. Digo por exemplo sobra a família; o jovem acredita nela, quer constituir uma família para si, mas não sabe como acreditar nisso. Que o jovem cristão não perca essa visão e essa força, mesmo se sentindo pressionado pela sociedade que, nem sempre, valoriza esse e tantos outros valores que fazem parte da vida.
Destrave: O senhor poderia deixar uma mensagem de encorajamento para nós jovens vivermos bem esta Quaresma e também este ano da juventude?
Dom Eduardo: Queridos jovens, a Igreja, que sempre fez uma opção muito clara pela juventude, tem um carinho muito especial por vocês. Saibam que sem vocês ela não vai poder continuar sua missão. A Igreja precisa de vocês! Estejam conscientes disso e valorizem esta afirmação na graça de Deus, de que a Igreja precisa de seu jeito, seus pensamentos para que ela dê um salto de qualidade na sua missão educadora e evangelizadora para nossos tempos. Deus os abençoe!
Fonte : cancaonova.com.br