"Fazer discípulos" - Reflexão de Dom José Alberto

A identificação com o Mestre faz o discípulo assumir postura, a mais parecida possível com o próprio filho de Deus.
Facilita isso o fato de Jesus, de natureza divina, ter assumido também a natureza humana. Seria impossível ao humano, por ele mesmo, identificar-se com o divino. Mas o homem, nascido de Maria, identificou-se em tudo conosco, menos no pecado. De ora em diante, para termos a postura semelhante à dele, precisamos superar o pecado e ter força para não cairmos na tentação,  como Jesus, que a venceu de modo exemplar.

Esta Jornada Mundial da Juventude com o Papa apresentou o tema: “Ide e fazei discípulos entre todas as nações” (Mateus 28,19). Não se trata de pura promoção do sectarismo por interesse religioso ou de competição com outros grupos. Poderíamos ser até minoria nesse sentido. A missão dada por Jesus aos discípulos é a de vivermos a coerência da fé nele, que também não foi aceito por minorias. Sua condenação e morte são fruto de sua pessoa obediente ao Pai e coerente com a proposta de vida avessa à busca de ídolos, desviada da vida de sentido apresentada por Deus. 

A missão praticada com a coerência da fé leva a pessoa a dar de si, até mesmo a vida, para realizar a implantação do bem, da justiça e da fraternidade. Ela faz o discípulo de Jesus, a não medir esforços e sacrifícios para indicar a caminhada coerente com o Evangelho. A sociedade, de modo especial a juventude, se não bem orientada, pode cair na tentação de  colocar no efêmero o objetivo da vida. Quem, no entanto, assume a postura de Cristo, faz a ascese ou exercitação na prática das virtudes propostas por Ele, para seguir o caminho que leva à vida plena.

Ser missionário, no encalço ao Filho de Deus, é assumir a atitude diuturna de levar os outros a perceberem o objetivo e o caminho adequado da vida para a realização humana plena. Conquistar a felicidade passa pela doação de si pelo bem do semelhante, mesmo tendo-se que sacrificar até o lícito para a promoção da vida e da dignidade humana. 

Muitos podem até não aceitar a proposta e os valores apresentados pelo Mestre, mas a missão do discípulo continua coerente com sua opção de vida no esforço por imitá-lo e realizar a missão dada por Ele. Se as pessoas não quiserem aceitar a paz apresentada pelos discípulos, ela volta para os mesmos, que procurarão apresentá-la a outros que poderão assumi-la. Ser missionário, então, não significa impor, mas viver e propor o que Cristo indica.

Quem é discípulo se torna também missionário, pois, Jesus não manda ninguém guardar só para si o tesouro de seu amor, com vida de fé intimista e puramente fechada no subjetivismo pessoal. Ele mesmo indica: “Vão pelo um mundo inteiro e anunciem a Boa Notícia para toda a humanidade” (Marcos 16, 15). O apóstolo Paulo lembra: “Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho!” (1 Coríntios 9,16).

Hoje é tempo, de modo especial,  de a juventude assumir seu lugar na Igreja e na sociedade, para assumir e implantar o novo da vida de Cristo e espalhá-lo para ajudar a inflamar a todos com a certeza de que um mundo diferente e feliz é possível. Teremos um convívio mais humano e divinizado com o amor daquele que deu a vida e mostrou, com a ressurreição, que temos a garantida de vencer a batalha da vida com seus novos critérios de verdadeira justiça e real amor.


Fonte : cancaonova.com